AMOR EM PEDAÇOS

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AVISO: O bloco de notas do celular é um lugar maravilhoso para se estar quando você não quer mais estar. Ataques de ansiedade, raiva, refluxo, amor e remorso. Tem como documentar tudo. Escrever virou algo automático depois de alguns anos e me assustei quando abri meu bloco de notas e encontrei vários fragmentos de “coisas” que andei anotando no ano passado. Os trechos não são retratos de uma realidade enfadonha e sim de uma criatividade operacional.

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Feliz Dia Do Amigo (?)

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Ano passado, no dia 20 de julho, o Facebook teve a brilhante ideia de nos presentear com um mini-vídeo-fofinho que mostrava alguns dos seus “melhores amigos” para que você (cabeça de vento) não se esquecesse de nenhum nesta data tão querida e especial. O problema foi que Mark Zuckerberg em momento algum pensou em consultar a gente na hora de montar o vídeo. O resultado da brincadeira foi, pelo menos no meu caso, uma lista de 8 caras que eu flertei (5 eu peguei, 2 eu enrolei e um traiu o namorado comigo) e pra fechar a lista tinha minha mãe. A jogada deve ter sido “vamo reunir essa galera que anda falando muito com ele no Messenger e curtindo todas as fotos dele de 2011 que, com certeza, devem ser BFF e a mãe dele, porque amor de verdade só de mãe né? Então amizade também deve ser”. Read More

Direita Mesmo Só A Mão Que Eu Escrevo

Em 2013 eu fui para as ruas protestar. O gigante tinha acordado. Foi lindo, mágico e eterno. Em poucas vezes na minha vida havia sentido tanta energia e vontade de mudança, o estopim da época foi o aumento da passagem e por conta disso reivindicávamos outras coisas que se faziam necessárias. Queríamos saúde, equidade, educação, e queríamos tudo isso pra ontem. Tínhamos pressa. Tomamos ruas, avenidas e locais públicos. Haviam bandeiras de vários movimentos sociais. Pintamos nossos rostos e corpos. Éramos jovens e tínhamos fome de democracia.  Enquanto isso, do camarote do apartamento caríssimo você me assistia. Cantávamos para você descer e se unir a nós. Pintar seu rosto, levantar sua cartolina ou faixa, bradar pela sua luta e conquistar no grito o seu direito, mas você …Ah você… Me traiu. E me traiu feio. Chamou meus amigos e eu de arruaceiros, disse que nós estávamos atrapalhando o trânsito, riu da nossa causa, e enquanto juntos poderíamos somar, você decidiu dividir. Read More

Você “Coisou” Meu Coração

Você era só mais um cara em pé esperando numa fila, que só existiu dentro da minha cabeça, com outros 500 caras esperando para serem chamados para uma entrevista de emprego, porque namorar comigo deve dar o maior trabalho (Me desculpem pelo trocadilho). Eu tinha acabado de ingressar em um estágio que consumia a minha libido como uma espécie de parte reserva do tanque de gasolina do meu ânimo para existir 5 dias por semana. Você estava numa tremenda desvantagem, mas mesmo assim, como um louco rumo a faixa-de-chegada você correu rasgou a fita e aqui estamos. Read More

Não Tenho Mais Idade Para Inventar Um Namorado Imaginário

Meio dia e quinze minutos, me sento para almoçar na mesma padaria que como há mais de 4 anos. A comida é ótima, as pessoas que trabalham lá são ótimas, o preço é ótimo, as pessoas que comem lá são ótimas e eu conheci aquele lugar num dia ótimo. Devido ao longo tempo já sou “de casa”, amigo íntimo da única garçonete que sempre me aluga como psicólogo para contar sobre o cara-gato-que-da-maior-mole-pra-ela-noivo, óbvio que ela demorou algumas sessões para me contar que o cara era noivo e uns quinze anos mais novo que ela (entende-se aqui por sessão os dias da semana que eu almoço lá, o que dá uma média de cinco dias, porque almoço todos os dias no mesmo lugar). Após observar a relação do “casal” notei coisas interessantes. A comunicação entre eles estava apresentando problemas graves. Ele chega tragando seu cigarro na entrada do estabelecimento e passa por entre as mesas exalando o mais puro cheiro de tabaco e testosterona, não sei o que ela vê nele. Se eu gostasse de Freud diria que, talvez o pai fumasse, e ela sentia algum tipo de tesão culposo devido a relações edipianas má resolvidas. Ele senta e pede uma Coca-Cola gelada, ela anota na comanda e em seguida corre até a minha mesa. Com um tom de voz de quem está confessando para um padre dentro um confessionário apertado e fedendo a mofo dessas igrejas de cidade pequena, ela me diz: “— Você viu? Ele pediu Coca! Ele sabe que eu adoro Coca e sempre pede para me provocar. Não vale nada, agora tá lá me olhando com um olhar de cachorro que caiu da mudança.” Eu tento argumentar com ela: — “Ele só pediu uma Coca porque tá calor e todo mundo perto da mesa dele tá tomando uma, até eu que não tomo nada durante as refeições hoje tô bebendo Coca.” Read More

O Neurótico do Parquinho

No meu novo trabalho tem um prédio azul bebê com bastante janelas que me traz calma quando o tráfego de pensamentos fazem uma fila infinita para serem pensados. Quando começam a buzinar, soltar dióxido de carbono e palavrões na avenida da minha cabeça, eu encaro o prediozinho que tem 2 placas amarelas de VENDE-SE e me imagino lá. Acordar num dia de inverno com um sol fraco e um céu azul refletindo naquelas janelas sempre tão limpas e longes deveria ser o máximo do bem estar humano (mesmo que seja o meu bem estar humano), o bem estar de um humano só. Não sou tão egoísta assim, já pensei também numa tarde quente de domingo, numa reunião informal de amigos, com cerveja e jogos, papos e bitucas de cigarro tortinhas pelo peso das mãos e das palavras e do álcool e do prediozinho que traz tanta paz que, talvez, a bituca nem amasse tanto, só se apague.
Essa semana teve um acidente na minha avenida imaginária, dois carros bateram, os dois bateram feio contra o meu carro. Não entenderam? Vou exemplificar, briguei com dois amigos. Dois grandes amigos. Os dois amigos que mais gosto naquela faculdade que nem gosto tanto, mas ainda faço porque amo o curso, mas isso não me impede de detestar a estrutura tão cheia de “antiquadisse”. Read More

Quando o Amor Deixou de Ser Prozac e Virou Gardenal

  Hoje eu acordei primeiro e fiquei te olhando dormir, suas orelhas desproporcionais à sua cabeça tem um charme quando encostadas na fronha branca do travesseiro. Eu quis te morder e arrancar um pedaço para levar comigo, mas não fiz. Afinal, você já me acha meio louco, imagina se você tivesse a certeza? Melhor não. Ontem eu escrevi que você era um “mala” no seu caderno de aula e mesmo assim como eu queria te pegar pela alça e te exibir feliz pelo mundo. Ontem também você me perguntou se eu estava com saudades de você, e pela primeira vez, primeira mesmo, porque eu não gostava de você, eu te abracei com todo o meu vazio existencial. Sorte sua não ter me abraçado com tanta intensidade porque iria atravessar pelo buraco do meu peito e cair em posição de mergulho do outro lado da cama.

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Um Soco de Buque de Rosas na Boca do Estômago

Olhos famintos em busca de uma presa corria pelos rostos da festa. Entre soluços, fumaça e suor você me achou. Achou de novo. Corri, mas corri pra cima de você. O Dj aumentou o som e gritou: Alegria, Alegria. Numa dança ritmada a gente se conheceu, isso foi há quase um mês, você me beijava sorrindo e eu sorria de volta, mas gente como eu merece paz e você era encrenca. O seu país declarou guerra ao meu, sem acordos ou tratados, o último de pé venceria. Enquanto dançava sob seu campo minado, eu não pensava em mais nada. O Diabo se esconde nos detalhes. Read More

Para Meu Ex Com Uma Flor

Tem uns 7 minutos que eu estou te olhando encostado do lado da banca de jornais. Você está perdido em pensamentos, e talvez, talvez MESMO, muito talvez, eu esteja perdido olhando para você. Tem 7 minutos também que eu estou igual um louco te encarando e sorrindo, um sorriso de quem diz: “cheguei amor”. Cheguei sim, mas já estou indo embora, de partida para bem longe, bem longe desse rosto sempre tão pronto para sorrir e roubar a beleza de tudo que está em volta. EU TÔ FOOOOORAAAAAA!!!  Read More