Os Últimos Me Farão Esquecer Os Primeiros

Em novembro de 2011 eu estava sentado na escada do colégio com o semblante meio (muito) triste porque tinha tomado um pé na bunda de um desses super-caras-com-tudo-pra-dar-certo e veio dar errado logo comigo. Nem lembro mais o nome, acho que era Lucas. Ele escreveu um depoimento pra mim no Orkut que logo no fim dizia: “não aceita não”. Até hoje eu não sei se era pra recusar o depoimento ou uma mensagem subliminar pra não desistir dele e do nosso amor de 2 semanas e 3 dias. Naquele dia eu espremi tanto o meu rosto pra ver se saia alguma coisa, uma lagrimazinha triste e sofrida, mas nada. Deixei pra lá, como eu tenho feito nesses anos todos, eu estou sempre deixando pra lá ou arrumando uma desculpa para ser deixado. Ficou muito triste, ficou muito pesado, ficou muito amor, ficou muito mais ou menos, ou não ficou nada. Estou sempre pronto pra correr. Vou confessar aqui, eu nunca amei um cara igual amei o Lucas (e eu estendo a frase para todos os Lucas) e eu só não consegui chorar naquele dia porque minha reserva de lágrimas já havia secado devido a primeira crise renal que doeu mais que todos os pés de todos os Lucas do Orkut na minha bunda.
No mesmo ano, início de janeiro com um intervalo longo até final de fevereiro, tinha e não tinha o João. João me girava num carrossel de sentimentos cada vez mais rápido. Era divertido, eu amava ele. Até que um dia eu queria descer do brinquedo enquanto ele girava cada vez mais rápido, e mais rápido, e mais rápido, e mais ráp… URGHHHH!!! Fiquei enjoado e vomitei. Teve o Fábio praticamente no mesmo período, esse não me girou. A gente super se gostava, super se pegava, super virava as noites em claro. Até que ele super me traiu. Não briguei, não falei alto, não liguei chorando, não desliguei chorando, não fiz show. Ele me pediu desculpas, eu mandei ele pegar um terço e rezar. Nada é tão ruim que não possa piorar, essa é a frase que descreve perfeitamente o Vitor, com esse eu insisti mais tempo. Ele tinha uma voz chata, um assunto chato e uma preguiça intelectual, era um mala sem alça que não sei onde estava com a cabeça quando resolvi carregar. Não gostava de ler, não gostava de filmes, não gostava de estudar, mas tinha um problema pior que a burrice, era pão duro. A única vez que ele chegou perto de abrir a mão foi no natal quando me deu uma capinha para celular de presente e ainda reclamou do preço. VINTE REAIS? Definitivamente é pior não ganhar presente que ganhar e ter que ouvir o preço. Do outro lado da balança tinha o Ricardo que era médico, menino novo do interior que me fazia entrar no carro novo só pra ligar o rádio e ficar parado na garagem do prédio me encarando (ele não sabia dirigir, nem eu), mas pior que isso foi descobrir anos depois que… Agora não sei se conto, deu vergonha, o que as pessoas que me leem vão pensar? Hmm…Sei não. Então tá, vou contar, agora ele é fã do Bolsonário e super criticou minha foto “Não vai ter golpe” no Facebook. Depois disso eu tomei o terço da mão do Fábio e me joguei de joelhos no chão para agradecer por ter terminado com o Ricardo e ele ter se mudado para outro estado.
O Fabrício aconteceu em meados de 2014, quando ele foi embora pela primeira e última vez eu quase morri. Lembro de escorregar pela parede fria da sua casa, foi quando me afogando em muco decidi que a vida que eu deveria viver era “da porta, para fora”. Cheguei em casa e corri para o banho mais longo da história dos banhos, e senti, enquanto a água batia na minha pele, a maior dor do mundo. A água escorria esfolando meu corpo meio vivo e meio morto, a sensação era da minha carne desgrudando dos ossos, por causa da condição de não estar com ele experimentei minha primeira receita de frontal e pensar nisso me dá muito medo porque eu poderia ter morrido de tristeza, porém me dá um alívio tremendo em ainda estar vivo e lembrando que esse eu amei de verdade (estendo a lista para todos os Fabrícios). A lista de amores de verdade foi grande, mesmo que nenhum deles realmente fossem grandes amores, lembro do Marcelo que eu chamei de Lucas numa noite (A PRIMEIRA) e nunca mais me chamou para um segundo encontro, se um dia ele ler isso (porque ele fumava demais e nem sei se tá vivo ainda) espero que ele saiba do fundo do meu coração que não foi por querer, eu não estava acostumado naquele época a beber e amar ao mesmo tempo, mas vou dizer também que foi até bom, porque se tivesse “vingado” eu jamais conheceria o Marcos. Fui descobri que era Marcos no nosso 5º encontro, ele gostava de mim, mas gostava ainda mais quando me deixava em casa e saia cantando pneu com o som alto para alguma dessas festas em série com os amigos em série. Tudo estava indo bem, até que um dia antes de ser jogado do carro eu falei meio gaguejando e meio sem cor que eu estava gostando dele. Depois desse dia ele nunca mais falou comigo e me bloqueou no Whatsapp. Fiquei super triste, tinha cometido o pior erro de todos, mostrei pra ele que eu tinha um coração (isso ficou tão cafona).
Maior que a lista dos que eu amei de verdade, foi a lista dos que ainda amavam os ex-namorados e decidiram me usar de “rolha” para estancar o buraco no peito. Teve um que chorou quando me beijou e disse “não posso”, teve outro que me pediu em namoro no primeiro encontro porque eu era idêntico ao ex dele, e um terceiro que fez café e juntos eu o encorajei a ligar para o ex namorado de 7 anos. Fiquei sabendo, tem poucos dias, que eles quase se mataram dentro de casa, antes ele (o ex) do que eu. Um que me deu um pouco de dor de cabeça foi o Matheus que durou tão pouco que eu passei mais tempo sofrendo por ele que do lado dele. O nosso microcosmo-do-amor-recém-nascido parecia um apocalipse zombie e a nossa paixão era uma vilã da série “The Walking Dead”, depois que morreu, voltou pior. A gente se pegou dia desses, super maduros, cheguei em casa, coloquei minha camiseta velha dormi em paz e nunca mais mandei nenhuma mensagem pra ele, nem ele pra mim. Maduros.
A falta de amor e paciência matou o meu namoro de contos de fada com o Gustavo asfixiado (era o namoro ou ele). Vocês devem estar se perguntando o porquê, eu só vou dizer que conheci ele no Tinder e o resto vocês imaginem por si só. Não era amor, era cilada.
Hoje estou solteiro, quando comecei a escrever esse texto não estava. Não pretendi com o isso demonizar meus exs, foram todos bons enquanto duraram. Lembrar de tanta gente que me fez sentir frio na barriga ou refluxo me fez ficar humilde e reconhecer que nunca foram vocês, sempre fui eu. Talvez esse seja o maior clichê dos fins de relacionamentos do universo, mas não me importo. Vou vestir ele e mais uma vez sair com meu disfarço de não-amor, isso tudo só porque hoje eu não tô afim de voltar acompanhado pra casa e se por acaso eu voltar, não se preocupem quando der errado tem texto novo.

 

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